Nesta Mês, a Coluna traz comentários
sobre a discografia
do grupo paulista TITÃS:

"Titãs"(1984)

O primeiro disco dos Titãs é muito ruim, totalmente brega. Quem ouve
não reconhece os Titãs de hoje. Há apenas uma canção rock no
disco que é "Babi Índio". Tem dois reggaes Marvin(versão
muito diferente) e "Querem Meu Sangue". Os Titãs ainda
tinham o baterista André Jung(hoje IRA!). Um som muito pouco
trabalhado, mostra um Titãs sem personalidade. Sucessos de "Sonífera
Ilha", "Toda Cor", "Balada para John e Yoko".
Destaque mesmo é para a música de Arnaldo Antunes, "Seu
Interesse".(Sérgio Saldanha)

"Televisão"(1985)

A diversidade de sons ainda é grande dentro da
banda. Com a produção de Lulu Santos, o disco não rendeu o
esperado principalmente depois da prisão de Arnaldo Antunes.
Apesar de seguir a mesma linha do pirmeiro disco, já se via uma
melhora em canções como "Televisão" e
"Autonomia". Ainda teve uma música no filme "Areias
Escaldantes"("Massacre"). É um disco também cheio de
limitações, porém melhor produzido.
(J.Aldo)

"Cabeça Dinossauro"(1986)

Um disco que entraria para a história do BRock. Um
disco revolucionário dentro do cenário rock. Até então os
brasileiros estavam acostumados a “biquíni amarelinho” e “eu
sou boy”. Agora o som era outro, mais pesado e com letras bem
elaboradas. Liminha tem essa parcela de culpa (no bom sentido). Saiu
André Jung para a entrada de Charles Gavin. Cabeça Dinossauro tem
agressividade do inicio ao fim, a mais conhecida é "Bichos
Escrotos" proibida pela censura. "Polícia",
"Porrada", "Igreja", "Homem Primata",
"Família" são os outros sucessos do melhor disco dos Titãs
nos anos 80.
(Sérgio Saldanha)

"Jesus não tem dentes no país dos
banguelas"(1987)

Segue o mesmo sucesso do disco anterior, porém
apresentando um som mais maduro. investiram em efeitos eletrônicos e
do uso de sampler. Arnaldo Antunes e compania voltam a caprichar nas
letras, inesquecíveis até hoje como em "Comida",
"Diversão" e "Corações e Mentes", com espaço
para "porradas" como "Lugar Nenhum". Nessa época,
o público do grupo começa aumentar gradativamente.(Sérgio
Saldanha)

"Go
Back"(1988)

Depois do convite para participar do festival de Montreaux na Suíça,
os Titãs reúne a idéia de fazer um disco com suas músicas que não
fizeram sucesso anteriormente ao vivo. Musicas como "Marvin",
"Go Back" e "Não vou me adaptar" tiveram seus
arranjos refeitos e apresentaram uma evolução surpreendente. O disco
é excelente, sem nenhum apelo comercial(como viraria o Titãs hoje em
dia).(J. Aldo)

"Õ Blèsq
Blom"(1989)

Mais uma vez o Titãs abusou da diversidade no som,
misturando elementos de música eletrônica e regional, proporcionando
bons momentos. O nome do disco foi inspirado numa dupla que Nando Reis
e Charles Gavin conheceram na praia de Boa Viagem. Entre os sucessos
estavam "Miséria", "O pulso" e
"Flores". Os Titãs fecham os anos 80 com um belo disco.(Sérgio
Saldanha)

"Tudo
ao mesmo tempo agora"(1991)

Década nova, som diferente. Baseado em rock bem pesado e sujo,este
disco é um dos melhores dos Titãs. Músicas muito bem elaboradas. músicas
como:"O Fácil é o Certo","Já","Isso Para Mim
é Perfume"(uma música que talvez não seja a melhor letra dos titãs,
mas valeu pelo rock sujo),Saia de Mim(sem dúvida a melhor do
disco),"Flat-Cemitério-Apartamento" e "Agora". É
sem dúvida um clássico. A crítica da época condenou o disco, por ser
muito pesado e conter muitos palavrões, mas sem dúvida esse disco é
muito melhor que ". . . é ceedo ou tarde demaais . . ."(Sergio
Saldanha)

"Titanomaquia"(1994)

Produzido por Jack Endino(responsável pela produção dos melhores álbuns
grunges de Seatlle). O disco trazia um som bem mais pesado e distorcido,
mantendo a linha do anterior(com letras um pouco menos pesadas). Músicas
como "Será que é disso que eu necessito?" e "Hereditário"
fazem sucesso nas rádios. Como sempre, o que é bom a crítica não
deixa passar em branco, e mais uma vez condena o estilo que o Titãs
estava seguindo. Eu não entendo porque, pois esse é o melhor disco dos
Titãs nos Anos 90.(J.Aldo)

"Domingo"(1995)

Os Titãs voltam a fazer um disco mais pop. Em
apenas três meses o disco alcança um disco de ouro. Tem ainda as
presenças de Herbert Vianna, Andréas Kisser, Igor Cavalera e João
Barone. As músicas invadiram as rádios e o sucesso foi rápido.
"Eu Não Agüento" (Um quase rap), "Domingo",
"Tudo Em Dia", "Eu Não Vou Dizer Nada" e
"Brasileiro" são os destaques do disco que teve como
produtor Jack Endino. É um bom disco, que ainda teve uma segunda edição,
com remixes e a inédita "Pela Paz".(Sérgio Saldanha)

"Acústico
MTV"(1997)

Aproveitando a comemoração dos 15 anos dos Titãs,
o grupo lança este trabalho
ao vivo e com um repertório bem selecionado, com novos arranjos que
soaram como novas canções. O Cd trazia 18 releituras e 4 inéditas.
"Pra Dizer Adeus" foi uma delas, uma faixa esquecida do
disco Televisão foi a chave do sucesso deste disco. Teve muitas
participações como: Marisa Monte (em Flores),Fito Paez(em Go Back),Jimmy
Cliff(em Querem Meu Sangue),Marina Lima(em Cabeça Dinossauro),Rita
Lee(em Televisão) e o mais ilustre convidado Arnaldo Antunes(em O
Pulso).(Sérgio Saldanha)

"Volume
Dois"(1998)

Este foi o maior erro dos Titãs. Depois de um belo
disco eles entraram em estúdio e gravaram o pior disco do grupo.
Totalmente sem criatividade, não teve a mesma percepção do Acústico.
Acabaram com músicas como "Lugar Nenhum",
"Desordem", "Não Vou Me Adaptar",
"Domingo", "Miséria", "Toda Cor"... Os
arranjos das regravações ficaram horríveis. Péssima escolha foi
gravar Roberto Carlos que nunca influenciou a musicalidade da banda.
Destaque apenas para duas canções: "Amanhã Não Se Sabe"
e "Insensível".(Sérgio Saldanha)

"As
Dez Mais"(1999)

Mantém a mesma linha ridícula do disco anterior,
só que tem mais regravações. Acabaram
com a música do Tim Maia, destruíram com o arranjo de "Sete
Cidades" (Legião
Urbana), uma versão sem graça de "Pelados em Santos". Um
trabalho sem nenhuma consideração com o público fiel desses anos
todos. Os Titãs viraram marca, vende um produto para adolescentes sem
informações comprarem. Venderam-se por alguns míseros reais.(Sérgio
Saldanha)
Artista
do mês de Novembro/2000
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